Leonardo Miggiorin que está arrasando como Roni, o gay afetado e divertido que faz dupla com Deborah Secco, a Natalie Lamour, na novela Insensato Coração. Solteiro, aos 29 anos e com várias novelas no currículo, Miggiorin é a favor do beijo entre pessoas do mesmo sexo na TV: “Será o próximo passo, mas não acho que tenha que ter pressa para rolar. No momento certo, vai acontecer”.
Além de atuar, Leonardo também canta. Ele é vocalista da banda Vista e começa a escrever suas próprias composições.
Em recente entrevista a um site direcionado ao público gay, ele contou que foi a uma festa GLS como parte da pesquisa para o seu personagem gay e disse também que já recebeu cantada de homem.
Entrevista:
Perguntado em quem se inspirou para fazer o Roni, ele disse: “Não foi em alguém específico. Vi vários filmes e documentários, pesquisei vídeos na Internet e também fui conversar com promoters que conheço”.
Você gostaria de protagonizar um beijo gay na tv, no teatro ou no cinema? “Sou ator e, portanto, estou à disposição do que o autor propõe para o personagem”. Só acho que o público não está preparado para ver essa cena, ainda há muito preconceito, mas a questão da homossexualidade já não é mais um grande tabu no Brasil. Nos últimos anos vemos cada vez mais personagens gays nas produções e isso faz com que o assunto se torne menos chocante.
Que tipo de laboratório você fez para compor o personagem? “Fui a algumas festas e conversei com os organizadores. Prestei atenção em como se produz uma festa, desde a etapa do conceito até a recepção dos convidados. Pesquisei a função e como se sente um profissional desta área. As responsabilidades, os pontos fracos, os anseios e as dificuldades. É um mundo ao qual estava familiarizado, uma vez que nós atores somos sempre convidados para festas, eventos e trabalhos”.
E no seu laboratório você foi a alguma boate gay? “Fui a uma festa GLS. É muito divertido. Como para qualquer outro papel, observo. Na festa, busquei gírias e trejeitos”.
Você sabe que os gays têm sido alvo de muita violência. O que precisa ser feito para mudar essa realidade? “Acredito que só com a educação este quadro poderá ser revertido. A teledramaturgia, por exemplo, tem a função de levar o assunto para a casa das pessoas, mas isso não basta. É necessário discutir na escola, em casa, educar, lutar pela igualdade do ser humano em sua totalidade”.
Tem medo de ser agredido nas ruas por alguém que confunda você com o Roni? “Já ouvimos histórias de atores interpretando vilões que foram agredidos na rua. Receio que as pessoas radicais em suas convicções possam atrapalhar a discussão e as conquistas que a sociedade teve ao longo desses anos. Mas o meu trabalho não muda. E o Roni é um personagem maravilhoso. Estou muito orgulhoso dele”.
Já sentiu algum tipo de preconceito por interpretar um gay? “Não, e se existe, é preconceito velado. Recebo mensagens carinhosas o tempo todo”.
Como tem sido a reação do público? “Ótima! Aumentou o assédio, naturalmente. Crianças, mulheres, homens de todas as idades vêm tirar foto e cumprimentar. O público parece gostar de personagens mais cômicos”.
Rola uma química muito boa entre você e Deborah Secco. Como é essa parceria dentro e fora de cena? “A Deborah me recebeu de braços abertos. Conversamos sobre as cenas, sobre a verossimilhança dos personagens com a vida real, sobre tudo. Ela é divertidíssima e muito disciplinada. Estou aprendendo muito com ela!”.
Já recebeu cantada de homem? Como reagiu? “Já aconteceu (risos). Levo numa boa”.
O que acha de figuras públicas, como Ricky Martin, assumirem publicamente sua homossexualidade? "Acho importante a questão da homossexualidade ser tratada cada vez com mais naturalidade por pessoas públicas de qualquer que seja a área, como a TV, o cinema, o esporte, a política, etc. Isso ajuda a desmitificar o assunto. Não acho que ele devesse explicações sobre isso, mas, já que ele diz que se sentiria melhor contando, acho ótimo que o tenha feito”.
Gilberto Braga já afirmou que prejudica a imagem do ator revelar que é gay. Você concorda? “Ser gay, negro, branco não deveria ser mais importante que o seu trabalho ou a qualidade dele”.
É a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo? “Com certeza. Todo mundo tem mais é que ser feliz. É um direito”.
Se te convidassem, posaria nu? “Não!”.
Fonte: site acapa.